Um ano após o desaparecimento de 43 estudantes no México, a população continua mobilizada. O Brasil também foi palco de manifestações contra a violência do Estado

Via – Vai Da Pé

Por Patricia Iglecio
Foto: Thiago Gabriel

 

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Um ano após a morte de seis pessoas e desaparecimento de 43 estudantes da escola rural de Ayotzinapa, no estado de Guerrero, no México, população continua indignada. A última semana foi marcada por protestos em todo o país, com passeatas contra a violência e manifestações de luto.

Na Cidade do México, os pais dos estudantes desaparecidos convocaram uma marcha que reuniu milhares de pessoas, no dia 26 de setembro, data de aniversário do sumiço. Alberto Martínez Valerio, estudante de sociologia da Universidade Autónoma Metropolitana da Cidade do México, lembra que no último ano aconteceram muitos protestos, duramente reprimidos.

“As imagens dizem tudo. Organizações, coletivos, pequenos grupos e pessoas em geral estão fazendo manifestações ou declarações simbólicas. Em cada região do país estão acontecendo mobilizações solidárias e indignadas, que exigem justiça”, diz.

Para Alberto, não há dúvidas de que esse caso não cairá no esquecimento, principalmente porque não é um acontecimento isolado, e retrata problemas que afetam todos os mexicanos: violência, corrupção, narcotráfico, impunidade e a morte constante.

Nos últimos sete anos, 30 mil pessoas desapareceram no México, de acordo com dados oficiais, durante os governos de Felipe Calderón (2006/2012) e Enrique Peña Nieto, atual presidente do país.

O caso Ayotzinapa evidencia um estado criminoso. Na noite em que sumiram, os jovens estavam viajando de ônibus para arrecadar fundos para a escola, quando foram surpreendidos por uma ação policial. O confronto terminou com seis mortos e o paradeiro desconhecido de 43 estudantes. O caso segue sem explicações oficiais.

“É preciso entender que o México vive há vários anos um clima tenso, provocado por muitas coisas. Fundamentalmente, pelo cenário de violência generalizada que permeia todas as atividades dos seus habitantes. O país enfrenta uma das crises mais severas em matéria de direitos humanos”, considera Alberto.

Embora os desaparecimentos e as mortes por violência do Estado sejam recorrentes, na opinião do estudante este caso ganhou grande repercussão internacional porque não há precedentes contemporâneos de desaparecimento e assassinato de estudantes dessa magnitude.

Além disso, Alberto indica que a repercussão internacional também se deu através da grande denúncia das rádios comunitárias, do jornalismo comprometido com a verdade e das mobilizações sociais de que existe uma participação do exército e do governo do México no desaparecimento desses estudantes.

|  Entenda melhor o caso aqui.

SEMANA DE LUTAS NO BRASIL


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No último dia 26, militantes no Brasil também realizaram um ato para relembrar o episódio em frente ao consulado mexicano em São Paulo, na avenida Paulista. Os manifestantes perfilaram-se na rua do consulado vestidos com camisetas brancas e capuzes pretos simbolizando as vítimas do massacre. Cerca de 50 pessoas participaram da encenação.