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A postura do Brasil em relação às lutas de gênero ainda é controversa e tímida. Mesmo reconhecendo a recente vitória da classe com sancionamento da lei que categoriza o feminicídio como crime hediondo pela Presidenta Dilma Rousseff, temas como legalização do aborto ainda estão longe de serem compreendidos pela sociedade em geral e continuam sendo extremamente criminalizados – vide a última declaração do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que afirmou na semana passada, que a legalização do aborto só seria votada por cima do seu cadáver.

Na capital carioca, movimentos trataram de reagir às declarações de Eduardo Cunha e ocuparam, no último dia 9, o Largo da Carioca (RJ).  Literalmente passando por cima de um cadáver (figurativo) de Eduardo Cunha, as manifestantes abordavam o tema de forma sensível, aprofundando e dando importância que a pauta carece.

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A visibilidade que a pauta de gênero ganhou tanto com a aprovação da lei do feminicídio como com as declarações absurdas de Eduardo Cunha – completamente distintos e quase que concomitantes – ilustra abertamente o atual panorama do empoderamento básico da mulher no Brasil. O país ainda possuí índices extremamente alarmantes em relação à violação e/ou falta de direitos da mulher.

Segundo o Instituto Avante, o cenário brasileiro é diametralmente oposto à cultura do cuidado com o “outro”. Aliás, é muito assustador. Uma mulher é morta a cada hora e a perspectiva é que a violência machista não se detenha tão cedo (porque não estamos fazendo políticas públicas educativas de qualidade). Em 2012 ocorreram 4.719 mortes de mulheres por meios violentos no Brasil, ou seja, 4,7 mortes para cada grupo de 100 mil mulheres. Entre 1996 e 2012 houve um crescimento de 28% nesses óbitos. Na década 2002-2012 o crescimento foi de 22.5%; em 2002 constatou-se 3.860 mortes, contra 4.719 em 2012. Portanto, para esta década, a média de crescimento anual de homicídios foi de 1,93%.

São dados como estes que continuam levando um crescente movimento de mulheres ocuparem as ruas durante o mês de março no mundo inteiro para exigir mais direitos. Confira a cobertura de uma das mobilizacoes no Rio de Janeiro em relação a legalização e a descriminalização do aborto no Brasil. Como diria o velho ditado: “Quem não pode com a formiga, que nem atice o formigueiro.”
Assista o vídeo de cobertura: http://youtu.be/CdIw5EJgWWM

Confira a cobertura completa – ninj.as/nwh4t

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